E então me levanto como um Touro terrível e capaz das mais pavorosas façanhas, como um Touro perante seu exército inimigo, como quem levanta em desespero diante da morte certa, a morte metamorfoseada em um grupo de poderosos leões famintos. Eu, o Touro, diante das montanhas estabeleço minha fúria, com um berro que faz estremecer o mundo e com a ira do meu braço crio as trevas. Não há quem me faça parar, não há quem me vença numa luta desse mundo até as estrelas. Mas eis que te vejo no meio da névoa, a menina por quem me apaixonei, e minha alma se derrama entre os ossos refeitos. E o meu corpo me falha e tropeça, minha voz baixa e some, minha gaguejante voz me decepciona. Eu tento me recompor diante de todos, mas já fui posto à prova. E ela apenas me olhou. Querida, não se vá. Não se vá com seu novo homem, não me deixe diante de leões famintos e serpentes que cospem fogo. Querida, não se vá.
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Mostrando postagens de outubro, 2018
O Texto Das Sensações Parte Um
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Vestido branco iluminado pela luz solar desfocada. Aroma de hortelã, cores suaves. A delicada textura das rosas, O amor nascendo com raios vermelhos. Uma leve brisa passa por eles, Um clima frio e agradável se cria. Manhã, café com leite, Mesa de madeira e mosaico nos pés. Antigo, novo, emprestado, cor do céu. Simetria, azulejo, olhos claros e boca rubra. Cabelo castanho, pele branca, nostalgia e pôr do sol. Dedos gélidos procurando o cobertor, Pés tremendo e encolhendo. Os braços nus encontram o amado, As bochechas rosadas coram. “O amor, assim que pudesse, Viria novamente para com ele nos levar”. Lágrimas. Garganta ardendo Enquanto o eco responde ao grito lançado às cortinas. Janelas abertas, verde, marrom e rosas. “É aqui onde tudo se encontra, É nesta pedra em que o caminho para”. Mãos agarram o corpo, Mas a dor não parece ir embora. Roupas pretas, névoa. Choro, falsidade e véus. Cinza da cor do céu, Chuva, trovões e musgo. Pedras úmidas, lago verde e escuro. Correntes geladas e...
Meu Deus, o 13 (Treize Alors)!
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Como que fugindo do inevitável, Colhendo espinhos e sonhos frustrados, Ele passou rápido e barulhento. Não foi um simples acontecimento, Foi o pior e mais selvagem. Uma prisão escura para um coração aflito, Um labirinto para um perdido, Um céu escuro de nuvens densas. Lembrou-me que tenho deficiências, Cercou-me de medo e desespero Até me ver caindo. Aquela era a realidade, Não a pura e simples, Mas a única que sobrara. Foi como um corte feito em silêncio, Como o fogo que rápido cobre um corpo, Como a luz que te cega E as ondas que te destroçam nas rochas... Assim foi 2013, oh Deus. [Janeiro de 2014]
Dum Suspiro Spero [2013]
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Passos trôpegos e acelerados Me levam à musa de longo cabelo. O corpo trêmulo e desajeitado Me permite um último abraço. Esse é mais um de meus suicídios planejados. Minha prima, a vida é um labirinto E estamos fugindo do Minotauro. Mas não chore, doce prima, Mesmo não havendo motivo para risos, Saiba que nem tudo está perdido.
Fevereiro
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Olhos escuros tristes entre as sombras da noite fria que não se esquece. Fevereiro amarelo ao dia e negro durante a noite, eternas almas vazias caídas em lodo e melancolia, gritando por ajuda aos senhores de ternos e mantos que passam olhando com nojo e desprezo. As sombras dançam nas árvores, campos, histórias e encantos que em canções se erguem marchando contra o descontentamento e o tédio efêmeros das noites negras de Fevereiro. Ventos vindos dos quatro cantos do mundo destroem as casas erguidas em bosques, as flores se queimam sob o sol ardente, a água transborda até a beleza aparente não existir mais. E para evitar a dicotomia da luz e das trevas, permanece no escuro frio e solitário da caverna. Crianças caminham com caras vermelhas esbofeteadas, os pulsos em sangue. Em casa, amigos, parentes e a vizinha gritam e soltam gargalhadas enquanto o marido namora fora de casa. Mas esqueçam das greves e das falhas - a novela começou. [tão linda e tão gelada] a menina dos olhos cl...
Árvores Mortas [2015]
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Olhos úmidos observam o caos, Assombrosos olhos castanhos em delírio Com a sombra projetada do destino que veio nos atormentar, Destruindo nossas almas com a fúria do mar, Perseguindo nossas vidas com suas garras, Espreitando entre suspiros e choro. Essa é a tristeza que nós escolhemos, Conseguimos finalmente nos destruir. Criaturas divinas em jardins celestes creram no amor novamente. Somos apenas o produto do erro de confiar em algo tão efêmero. Queríamos apenas nos alimentar das esperanças Que o mundo cultiva e logo abandona, Pois somos mais que tudo famintos por aquilo que não temos E sedentos pela ideia de existir. Ah a existência, Essa cruel torturadora da verdade Que nos machuca com o açoite do futuro E nos tira o sabor do passado. E se eu pudesse mais uma vez ter aquele instante no espaço, Eterno como todos os instantes Em que existe felicidade, Eu ouviria o palpitar do seu coração E a voz que mais parece melodia, O anúncio da queda das sombras, O anúncio de paz em demasia. E...
20.10.18
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Um poema se aproxima A noite anuncia O Ar anuncia A dor anuncia É um poema sem rima Sem reflexão São palavras bonitas É um poema sem poesia A noite passa A dor passa Mas o poema não passa Ele vem e se anuncia O poema engole a noite Substitui a dor Determina a vida O poema se auto-justifica (as guerras mundiais são briguinhas perante um universo grande e insensível porque o universo não se importa o universo é só poesia)