Árvores Mortas [2015]

Olhos úmidos observam o caos,
Assombrosos olhos castanhos em delírio
Com a sombra projetada do destino que veio nos atormentar,
Destruindo nossas almas com a fúria do mar,
Perseguindo nossas vidas com suas garras,
Espreitando entre suspiros e choro.
Essa é a tristeza que nós escolhemos,
Conseguimos finalmente nos destruir.


Criaturas divinas em jardins celestes creram no amor novamente.
Somos apenas o produto do erro de confiar em algo tão efêmero.
Queríamos apenas nos alimentar das esperanças
Que o mundo cultiva e logo abandona,
Pois somos mais que tudo famintos por aquilo que não temos
E sedentos pela ideia de existir.
Ah a existência,
Essa cruel torturadora da verdade
Que nos machuca com o açoite do futuro
E nos tira o sabor do passado.


E se eu pudesse mais uma vez ter aquele instante no espaço,
Eterno como todos os instantes
Em que existe felicidade,
Eu ouviria o palpitar do seu coração
E a voz que mais parece melodia,
O anúncio da queda das sombras,

O anúncio de paz em demasia.
E agora me vejo distante de tudo
E sinto a alegria da solidão,
Como uma árvore que deixa cair de si
Os frutos que já apodreceram.
Sou uma árvore morta com odor de putrefação.
Sou aquele que sacrificou parte de seu corpo
Pela sobrevivência de uma alma raquítica, infeliz e necessitada.


Olhos úmidos observam o sol, mas agora só procuram infelicidade.

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