Fevereiro
Olhos escuros tristes entre as sombras da noite fria que não se esquece. Fevereiro amarelo ao dia e negro durante a noite, eternas almas vazias caídas em lodo e melancolia, gritando por ajuda aos senhores de ternos e mantos que passam olhando com nojo e desprezo. As sombras dançam nas árvores, campos, histórias e encantos que em canções se erguem marchando contra o descontentamento e o tédio efêmeros das noites negras de Fevereiro.
Ventos vindos dos quatro cantos do mundo destroem as casas erguidas em bosques, as flores se queimam sob o sol ardente, a água transborda até a beleza aparente não existir mais. E para evitar a dicotomia da luz e das trevas, permanece no escuro frio e solitário da caverna. Crianças caminham com caras vermelhas esbofeteadas, os pulsos em sangue. Em casa, amigos, parentes e a vizinha gritam e soltam gargalhadas enquanto o marido namora fora de casa. Mas esqueçam das greves e das falhas - a novela começou. [tão linda e tão gelada] a menina dos olhos claros em desgraça.
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