E então me levanto como um Touro terrível e capaz das mais pavorosas façanhas, como um Touro perante seu exército inimigo, como quem levanta em desespero diante da morte certa, a morte metamorfoseada em um grupo de poderosos leões famintos. Eu, o Touro, diante das montanhas estabeleço minha fúria, com um berro que faz estremecer o mundo e com a ira do meu braço crio as trevas. Não há quem me faça parar, não há quem me vença numa luta desse mundo até as estrelas. Mas eis que te vejo no meio da névoa, a menina por quem me apaixonei, e minha alma se derrama entre os ossos refeitos. E o meu corpo me falha e tropeça, minha voz baixa e some, minha gaguejante voz me decepciona. Eu tento me recompor diante de todos, mas já fui posto à prova. E ela apenas me olhou. Querida, não se vá. Não se vá com seu novo homem, não me deixe diante de leões famintos e serpentes que cospem fogo. Querida, não se vá.
20.10.18
Um poema se aproxima A noite anuncia O Ar anuncia A dor anuncia É um poema sem rima Sem reflexão São palavras bonitas É um poema sem poesia A noite passa A dor passa Mas o poema não passa Ele vem e se anuncia O poema engole a noite Substitui a dor Determina a vida O poema se auto-justifica (as guerras mundiais são briguinhas perante um universo grande e insensível porque o universo não se importa o universo é só poesia)
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