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SENHOR DO BONFIM

o mar está consumindo a areia, como um cão que caça o próprio rabo, como quando eu perseguia minha sorte, como a raça humana procurando paz. a guerra interna que travei para manter a infância que foi arrancada pelo filho imperfeito da eternidade, o tempo cruel, as horas cruéis. mas tudo passa, por uma benção também dessa força sem controle, como o mar que apesar de tentar, nunca consome de todo a areia da praia. a eternidade é gentil rainha das sombras, é duradoura e nos quer bem. o infinito a todos acolhe, a todos aceita e a todos espera, monarca dos espaços externos. mas são reis sem consciência de tarefa. não são entidades éticas. toda consciência nos foi dada. todo amor apenas a nós pertence. não espere ser amado pelo destino, filho bastardo do infinito.  a toda alma que buscou conhecimento, tempo foi dado para alcançá-lo. e a toda alma que quis sossego, espaço foi dado para buscá-lo. mas apenas aqueles que tentaram, pois as forças que regem a natureza são cegos e mudos, indife...

A Saga de Lucas Alexander PARTE UM

No centro de comando da Mente de Lucas Alexander, levanta-se da mesa o presidente de Assuntos Imediatos, no Natal de 2019. - Brama era a persona que inicialmente seguiu com a casca Alexander a partir de 12 de Dezembro de 1997, no princípio da manhã. Ele tinha vontade de criar, criava mundos inteiros com seus dominós, com seu caderno desenho e com seus contos. Mas havia certos inconvenientes na sua personalidade. Inconvenientes que faziam com que não tivesse orgulho de ser o Alexander, resultado da sua relação com outras pessoas. Era muito monotemático, seus focos de vida não estavam exatamente incorretos, mas não poderia seguir com eles e não sobreviveria ao IF. Tivemos que reiniciá-lo. Ele morreu em 31 de Dezembro de 2012, às 23:59. Siva foi a persona perfeita pra assumir seu lugar. Sua facilidade com reinícios seria de extrema utilidade. Aproveitaria tudo que poderíamos usar e corrigiria aquilo o que fosse necessário. Foram vários testes e experimentos. Diferente de Brama, Siva fi...
E então me levanto como um Touro terrível e capaz das mais pavorosas façanhas, como um Touro perante seu exército inimigo, como quem levanta em desespero diante da morte certa, a morte metamorfoseada em um grupo de poderosos leões famintos. Eu, o Touro, diante das montanhas estabeleço minha fúria, com um berro que faz estremecer o mundo e com a ira do meu braço crio as trevas. Não há quem me faça parar, não há quem me vença numa luta desse mundo até as estrelas. Mas eis que te vejo no meio da névoa, a menina por quem me apaixonei, e minha alma se derrama entre os ossos refeitos. E o meu corpo me falha e tropeça, minha voz baixa e some, minha gaguejante voz me decepciona. Eu tento me recompor diante de todos, mas já fui posto à prova. E ela apenas me olhou. Querida, não se vá. Não se vá com seu novo homem, não me deixe diante de leões famintos e serpentes que cospem fogo. Querida, não se vá.

O Texto Das Sensações Parte Um

Vestido branco iluminado pela luz solar desfocada. Aroma de hortelã, cores suaves. A delicada textura das rosas, O amor nascendo com raios vermelhos. Uma leve brisa passa por eles, Um clima frio e agradável se cria. Manhã, café com leite, Mesa de madeira e mosaico nos pés. Antigo, novo, emprestado, cor do céu. Simetria, azulejo, olhos claros e boca rubra. Cabelo castanho, pele branca, nostalgia e pôr do sol. Dedos gélidos procurando o cobertor, Pés tremendo e encolhendo. Os braços nus encontram o amado, As bochechas rosadas coram. “O amor, assim que pudesse, Viria novamente para com ele nos levar”. Lágrimas. Garganta ardendo Enquanto o eco responde ao grito lançado às cortinas. Janelas abertas, verde, marrom e rosas. “É aqui onde tudo se encontra, É nesta pedra em que o caminho para”. Mãos agarram o corpo, Mas a dor não parece ir embora. Roupas pretas, névoa. Choro, falsidade e véus. Cinza da cor do céu, Chuva, trovões e musgo. Pedras úmidas, lago verde e escuro. Correntes geladas e...

Meu Deus, o 13 (Treize Alors)!

Como que fugindo do inevitável, Colhendo espinhos e sonhos frustrados, Ele passou rápido e barulhento. Não foi um simples acontecimento, Foi o pior e mais selvagem. Uma prisão escura para um coração aflito, Um labirinto para um perdido, Um céu escuro de nuvens densas. Lembrou-me que tenho deficiências, Cercou-me de medo e desespero Até me ver caindo. Aquela era a realidade, Não a pura e simples, Mas a única que sobrara. Foi como um corte feito em silêncio, Como o fogo que rápido cobre um corpo, Como a luz que te cega E as ondas que te destroçam nas rochas... Assim foi 2013, oh Deus. [Janeiro de 2014]

Dum Suspiro Spero [2013]

Passos trôpegos e acelerados Me levam à musa de longo cabelo. O corpo trêmulo e desajeitado Me permite um último abraço. Esse é mais um de meus suicídios planejados. Minha prima, a vida é um labirinto E estamos fugindo do Minotauro. Mas não chore, doce prima, Mesmo não havendo motivo para risos, Saiba que nem tudo está perdido.

Fevereiro

Olhos escuros tristes entre as sombras da noite fria que não se esquece. Fevereiro amarelo ao dia e negro durante a noite, eternas almas vazias caídas em lodo e melancolia, gritando por ajuda aos senhores de ternos e mantos que passam olhando com nojo e desprezo. As sombras dançam nas árvores, campos, histórias e encantos que em canções se erguem marchando contra o descontentamento e o tédio efêmeros das noites negras de Fevereiro.  Ventos vindos dos quatro cantos do mundo destroem as casas erguidas em bosques, as flores se queimam sob o sol ardente, a água transborda até a beleza aparente não existir mais. E para evitar a dicotomia da luz e das trevas, permanece no escuro frio e solitário da caverna. Crianças caminham com caras vermelhas esbofeteadas, os pulsos em sangue. Em casa, amigos, parentes e a vizinha gritam e soltam gargalhadas enquanto o marido namora fora de casa. Mas esqueçam das greves e das falhas - a novela começou. [tão linda e tão gelada] a menina dos olhos cl...