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Mostrando postagens de janeiro, 2018

James (Ou Como Se Tornar o Oprimido e o Opressor)

A sensação de alheamento De que as mãos, os pés, a pele não podem sentir o mundo De que a realidade é tão interna, dentro dos ouvidos, dentro de peito Nas caricaturas feias que as pessoas se tornaram, só há ódio Medo, feiura, e elas passam ligeiro ou devagar demais, em um mundo Em que eu não faço parte Em quem eu posso confiar agora que estou louco? Quando os amigos se tornam outra coisa Quando nunca foram amigos Quando tudo era só um pálido ruído De uma realidade que só eu vivia Ela me oprime e determina Até onde viver, até onde sair Até onde sorrir, até onde dormir Quando percebo que ela não existe Sou apenas eu me oprimindo

O Nefando e o Inefável [2017] (fragmento)

Os cabelos vermelhos de carbono da garota alta Fazem um coração humano explodir, Antes de a matéria envelhecer e extinguir  Os prédios queimam de paixão, E as paredes derretem de prazer. Mas é apenas isso, a desmedida. Uma régua determina as horas de vida De um recém-chegado de países invisíveis. E o azul dos olhos acumulados pelo mar Enterra o universo de tantas possibilidades. Mas todos sabemos que não passa De uma desculpa para uma metáfora. Óculos redondos avistam terra após milhões de anos ao mar - o mar que esqueceu os pais. Você me torna melhor e sai. A porta bate e você se assusta. O amor vai embora e os pássaros cantam. Eu só queria dizer "eu te amo"

Alameda da 13º Sorte [2016]

De todas as acusações (“você se apaixona por qualquer adolescente que aparece” ) e de todas as ofensas (“Você foi a maior desgraça na minha vida”), apenas uma frase ecoa lentamente e agonizante numa dança fúnebre em volta da minha mente, reabrindo feridas passadas e criando uma estranha e involuntária previsão para meu triste futuro: “Estou muito feliz com meu marido”. E foi assim, lenta e provocante, que nossa conversa me pareceu um ataque. E eu estava ali para ser julgado e analisado.

Canção de Ninar [2016]

Dorme, dorme Meu filho, pois a noite escura vem Embrulhar os que não têm Uma cama pra dormir Sonhe, sonhe, Agora, meu filho, Pois os pesadelos não têm Poder sobre os ricos. Amém. Não se assuste com o barulho Que os vizinhos vão fazer Uma hora ele se cansa de bater Na mulher que implora socorro